Publicado por: Viajante da Imensidao | outubro 19, 2008

Keli Viajando a Trabalho

Naquele dia quando o chefe a chamou e disse que tinha uma viagem para ela fazer a outro estado, Keli não ficou muito contente não, mas aceitou a proposta. Ela viaja pouco, mas ultimamente o chefe a tinha solicitado muito para atender clientes em outras cidades, disse que era devido ao bom desempenho dela nos últimos trabalhos, mas enquanto era no próprio estado ela se sentia em casa, agora estava partindo para uma “terra desconhecida”. Decidiu que iria de ônibus mesmo, gostava de aproveitar essas viagens para ver a paisagem e fotografar tudo. Assim preparou tudo pra partir logo no fim de semana, já que por meio terrestre demoraria um pouco mais para chegar ao seu destino, pegou alguns livros pra se distrair nas horas vagas durante a viagem. Chegou o grande dia, de manhazinha ao sair da rodoviária ficou apenas observando desaparecer aos poucos Paula acenando pra ela, Paula havia insistido em levá-la até a rodoviária e sentiu se feliz por ter uma amiga tão atenciosa. Pouco depois já estava na rodovia, verificou se o planejamento de trabalho estava tudo em ordem e relaxou, ficou só observando as paisagens que iam passando pela janela.

Já estava anoitecendo quando chegou ao seu destino, era uma pequena cidadezinha, foi até um segurança e se informou onde poderia encontrar um hotel. Logo estava hospedada em um hotel simples, mas bem limpo e tinha uma recepção adorável, a caminho do hotel ela havia visto uma pracinha que parecia bem divertida e decidiu comer alguma coisa lá. Foi até um dos trailers fez o seu pedido, sentou e ficou observando as crianças brincando no parquinho e as pessoas pareciam alegres, a muito tempo ela não via isso, morava em uma cidade grande onde tudo parecia ser só correria. Estava acabando de lanchar quando viu duas jovens vindo em sua direção, ao aproximar disseram:

– Boa noite – disse a morena de cabelos encaracolados.

– Boa noite – disse Keli, meio desconfiada.

– Você é nova por aqui ou está só de passagem?– falou a outra, uma loira de cabelos curtos.

– Só a trabalho – respondeu Keli, sendo bem ríspida e pensando o quanto aquele pessoal era xereta.

– Desculpe não ter nos apresentado – disse a morena – eu sou a Daniele e essa é a Amanda – apontando para a loira.

– Prazer em conhecê-las, meu nome é Keli – disse Keli.

– Nós estávamos te observando – apontando para uma quadra de vôlei, onde tinha mais algumas pessoas olhando pra ela – e já que está faltando uma pessoa no time, resolvemos te convidar – disse a Amanda.

Keli ainda não se sentindo muito a vontade disse que não sabia jogar vôlei, mas as garotas insistiram e ela acabou indo, chegando à quadra conheceu mais algumas pessoas e começaram o jogo. Keli até que se saiu bem, só cansou um pouco, também havia se tornado muito sedentária. Conversaram um pouco, ela disse que estava a trabalho e que estava hospedada em um hotel, que iria embora no outro dia à tarde, logo depois da reunião com o seu cliente. Estava ficando tarde e resolveram ir embora, Amanda convidou todos pra almoçarem em sua casa no outro dia e que keli não poderia faltar, Daniele e outras pessoas foram com Keli até o hotel, já que era caminho pra suas casas.

Acordou um pouco cedo, pois queria fotografar um pouco a cidade, pediu o café da manhã e ao entregarem recebeu uma encomenda que haviam deixado pra ela no hotel. Era uma caixinha embalada para presente, onde estava escrito: “De: Douglas ; Para: a bela Keli”, ela lembrou que ele não tirava os olhos dela no dia anterior, mas nem correspondeu devido à euforia em que se encontrava, ela ficou mais entusiasmada quando abriu e encontrou um lindo cartão florido e bombons de cereja que ela amava. No cartão ele pedia desculpas por não poder comparecer ao almoço e disse que tinha achado ela muito bonita e interessante e que gostaria de encontrá-la em um outro momento se possível, deixou o telefone e um “me liga, por favor”. Quando saiu pra fotografar, não pensava em outra coisa, aquela ação de Douglas não lhe saia da cabeça, como ele sabia que ela gostava de bombons de cereja? Foi ai que ela lembrou que havia dito ligeiramente no dia anterior sobre a preferência. Chegou à hora do almoço, Daniele passou no hotel para acompanhar Keli até a casa da Amanda, no caminho Keli já fez algumas perguntas discretamente sobre Douglas para a Daniele e ficou sabendo que no trabalho dele, ele também viaja sempre e que foi viajar hoje e só iria voltar dentro de uns três dias. O almoço foi ótimo, muita alegria apesar de ser por tempo limitado, já que a maioria estava no horário de almoço dos seus trabalhos, muitos já se despediram de Keli e trocaram telefone. No final só ficou Keli e Amanda, a sua reunião era as 14:00 horas e logo depois ela já iria embora, ajudou Amanda com as louças e voltou para o hotel. Foi até seu cliente, à reunião deu tudo certo e ela até conseguiu alguma vantagem para a sua empresa, o chefe iria elogiá-la novamente, e ela sempre agradecia a Deus por estar sempre abençoando os seus projetos.

Pagou o hotel e se dirigiu para a rodoviária, a Amanda já estava lá esperando ela, comprou a passagem e ficaram aguardando o ônibus que deveria demorar uns 40 minutos. Keli fez mais algumas perguntas sobre Douglas e Amanda até percebeu o interesse dela, mas não fez nem uma pergunta direta. Chegou o ônibus e as duas se despediram e prometeram se encontrar outras vezes (o que era meio difícil, devido à distância). No ônibus de volta pra casa, Keli pensou como saiu de casa achando estar viajando para uma “terra desconhecida”, e acabou fazendo amigos e quem sabe até um pretendente para ocupar o seu coração (que por sinal já estava invadindo sem pedir licença). Agora pensou até em mudar para uma cidade do interior, talvez esquecesse um pouco a correria do dia-a-dia e se relacionasse melhor com as pessoas, ou talvez não fosse o lugar físico que devêssemos mudar, mas sim o nosso interior??

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Responses

  1. Lindo esse conto.Vc já pensou em editar um livro?Pois é…pense nisso.Vc escreve muitíssimo bem.Eu tb penso em sair do Rio e morar numa cidade pequena,pois é lá que encontramos amigos.Nos grandes centros urbanos é difícil.Todos estão centrados na sua própria vida.Valeu!
    Beijinhos

  2. Olá!
    Obrigada pela visita no meu blog!
    Adorei a história, e concordo plenamente que muitas vezes édifícil encontrar o nosso interior!
    beijão, voltarei por aqui sempre!

  3. Estou perto de fazer algo muito, muito parecido com isso.
    Ah, como é bom.

    Boa quarta.

  4. Eu já morei no interior e tenho muita saudade de lá, da tranqüilidade. E eu acho que tudo depende do jeito que a gente vê, depende do nosso estado interior. A Keli ficou com medo de ir para uma cidade pequena e acabou se surpreendendo. Temos que abrir o coração e se abrir para novas amizades sempre.

    beijão!

  5. Muito obrigada por sua visita.Fico contente por ter vc sempre por perto.Seu blog é lindo.Os contos e poesias muito legais.Te adoro !
    Bjs

  6. Hoje estou aposentado, mas quando estava na ativa , viajava muito, conheci lugares e pessoas e foi um ótimo aprendizado.
    Abraços

  7. Que texto bacana! É todos nós precisamos fazer isso alguma vez na vida, talvez a única chance mais explícita de viajar pra dentro de você mesmo. beijo =*

  8. Cada um de nós deveria morar numa pequena localidade antes de iniciar a vida laboral ou então fazer uma grande viagem de mochila às costas. Estou certa que o nosso mundo seria melhor.
    Continua a ser um prazer ler o que escreves.


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